Experimental

  • Arquivo
  • Random Beauty
  • Memórias
  • Sobre
  • 080

    Paula Vicente School

    2025

    Seguindo a tradição urbana da cidade — onde a malha medieval foi parcialmente reorganizada pela lógica romana — o projeto da escola constrói-se sobre a convivência entre a irregularidade herdada e a ordem introduzida. O edificado existente, com a sua composição fragmentada e acumulativa, remete para o carácter orgânico e adaptativo da cidade medieval — uma arquitetura feita por justaposição, onde os espaços se encadeiam por contingência, revelando a memória do tempo e da utilização.

    A proposta introduz uma matriz racional, inspirada nos eixos estruturantes romanos — cardus e decumanus — que orienta o conjunto com clareza, hierarquia e continuidade. Esta estrutura abstrata não anula o carácter do existente, mas reforça a sua presença, organizando percursos, articulando volumes e estabelecendo relações entre tempos e funções.

    A organização espacial baseia-se na definição de eixos físicos e visuais que atravessam a intervenção, conectando volumes novos e existentes, interior e exterior, e estabelecendo uma lógica comum de alinhamento, escala e presença no espaço. Um desses gestos é a transformação do antigo volume de cobertura plana entre o ginásio e o edifício de aulas numa ampla zona coberta de recreio exterior — uma charneira funcional e visual que liga os diversos programas e permite acesso direto ao piso 0, acentuando a continuidade desde a entrada até aos campos de jogos.

    Os espaços exteriores são pensados como extensões pedagógicas: pátios, passagens e zonas ajardinadas são lugares de encontro, descanso e aprendizagem informal. A relação entre cheios e vazios, luz e sombra, promove uma vivência rica e dinâmica do espaço escolar, em que a arquitetura acompanha e qualifica o quotidiano da comunidade educativa.

    A intenção de continuidade manifesta-se também na materialidade e escala dos novos volumes, que dialogam com o existente sem mimetismo. A intervenção é, assim, mais do que uma nova construção — é uma operação de costura urbana e temporal. A escola emerge como lugar de permanência e transformação, onde diferentes camadas da cidade coexistem e se revelam mutuamente. É nessa convivência entre passado e futuro que o projeto encontra o seu verdadeiro sentido público, cultural e pedagógico.